Em um futuro não tão distante, onde os mutantes quase desapareceram da face da Terra, o deserto árido do México esconde um homem quebrado, cansado, mas ainda perigoso. Ele já foi chamado de herói, de X-Man, de mutante… Mas agora, atende apenas por Logan. Seus dias de glória ficaram para trás, como cicatrizes que não se apagam, mas já não se curam como antes. Ele vive escondido, dirigindo uma limusine velha para turistas bêbados que não fazem ideia de que o homem com os olhos cansados e a barba por fazer é o lendário Wolverine, o mesmo que já enfrentou exércitos, deuses e monstros — e venceu. Agora, porém, ele trava a luta mais difícil de sua vida: continuar existindo.
Logan vive perto da fronteira com o México, em um refúgio improvisado onde cuida do professor Charles Xavier, seu antigo mentor, agora um idoso com demência. O cérebro mais poderoso do mundo tornou-se também o mais perigoso: suas crises provocam ondas telepáticas incontroláveis que paralisam todos ao redor. Logan, junto com um mutante albino chamado Caliban, mantém Charles sob medicação pesada e escondido do mundo, temendo que suas habilidades possam causar uma catástrofe — como já aconteceu, anos atrás, quando uma de suas crises mentais matou vários X-Men em um trágico acidente em Westchester, um evento que todos evitam mencionar.
A dor de Logan vai além das feridas físicas — embora seu corpo esteja lentamente falhando. Seu fator de cura está comprometido, suas garras já não cortam com a mesma agilidade, e o adamantium que antes lhe deu força agora o envenena aos poucos, corroendo-o por dentro. Ele sente cada passo pesar, cada batalha se tornar mais difícil. A morte parece uma promessa tentadora, não mais um medo distante. Mas mesmo um homem que deseja morrer não consegue evitar sua natureza de protetor — e isso é colocado à prova quando uma mulher aparece, pedindo ajuda para salvar uma garota.
A garota se chama Laura. Silenciosa, feroz, e com olhos que já viram o horror. Ela é como ele — literalmente. Criada em laboratório a partir do seu DNA, Laura é a primeira de uma nova geração de mutantes criada como arma. Nascida e moldada para matar, ela compartilha com Logan não apenas o fator de cura e as garras de adamantium, mas também a fúria selvagem que o tornou temido e solitário. E agora, caçada por uma organização chamada Transigen, que busca capturá-la a qualquer custo, ela encontra no velho Logan a única chance de escapar para um lugar chamado Éden — um local que talvez nem exista, mas que representa a esperança.
Logan, relutante, inicialmente recusa. Ele não quer mais saber de lutas, de responsabilidades, de heroísmos. Mas o mundo não deixa que ele descanse. Quando os mercenários liderados pelo implacável Donald Pierce descobrem onde Laura está escondida, tudo desmorona. Eles atacam sem piedade, e pela primeira vez em anos, Logan vê algo que julgava enterrado: uma pequena guerreira com garras de metal saltando como um animal, cortando seus inimigos com selvageria. Laura luta como ele lutava. E dentro daquele caos, algo desperta em Logan — talvez o que restava de seu instinto paternal, ou talvez só a velha vontade de resistir mais um dia.
A fuga se inicia. Com Charles, Laura e Logan cruzando estados em uma limusine enferrujada, a estrada vira palco de descobertas. Charles vê em Laura uma redenção — uma nova chance de proteger uma criança mutante, como fizera antes. Ele tenta ensinar a Logan que ainda há humanidade nele, que ainda há espaço para o amor, para a conexão. Mas Logan, endurecido pelas perdas, se recusa a se apegar. Ele não quer saber de destinos, de profecias ou de futuro. Tudo o que quer é levar Charles a um lugar onde ele possa morrer em paz, longe do barulho e da dor.
Mas paz é um luxo que não dura.
Em uma fazenda onde param para descansar, após uma série de encontros e momentos que quase fazem Logan acreditar que algo bom ainda é possível, tudo desaba novamente. Transigen envia sua arma mais terrível: um clone perfeito de Logan, mais jovem, mais forte, mais rápido — sem alma, sem dor, apenas destruição. X-24, como é chamado, representa o que Logan mais teme: sua própria imagem descontrolada, sem limite, sem humanidade. Em um ataque brutal, X-24 assassina Charles com frieza, em seus últimos momentos de lucidez. O velho professor, que dedicou sua vida a salvar jovens mutantes, morre acreditando que havia encontrado uma nova esperança. Logan, destroçado, enterra o homem que foi como um pai para ele, sem palavras, apenas com uma raiva silenciosa e lágrimas contidas.
A estrada continua, e Laura se revela mais do que uma arma: ela fala, com sotaque, com doçura escondida por trás do instinto. Logan, aos poucos, começa a enxergá-la não como um fardo, mas como filha. E talvez, só talvez, ele deseje ser pai — ainda que por pouco tempo.
Eles seguem rumo ao Éden, o lugar dos sonhos das crianças fugitivas criadas como experimentos por Transigen. A jornada é árdua. Logan está doente, sua cura quase extinta. Cada passo o aproxima do fim, e ele sabe disso. Ao chegarem a Éden, descobrem que não era apenas um mito: jovens mutantes estão lá, escondidos, sobrevivendo como podem, tentando cruzar a fronteira para o Canadá, onde estarão fora do alcance da perseguição. Mas Pierce e seus soldados os alcançam.
No clímax inevitável, Logan decide lutar uma última vez. Com raiva, dor e adrenalina, ele injeta em si mesmo um soro que momentaneamente restaura sua força e seu fator de cura. Pela última vez, o Wolverine ruge. Ele ataca com fúria, protegendo as crianças, enfrentando o exército, até se deparar com seu clone assassino. A luta é brutal, desesperadora, animalesca. Logan está velho, ferido, e mesmo com o soro, sabe que esta batalha não é pela vitória, mas pelo tempo — tempo suficiente para que Laura e os outros fujam.
No fim, é Laura quem salva Logan, disparando um projétil de adamantium no crânio de X-24. Mas o estrago já está feito. Logan está morrendo. Seus olhos se voltam para Laura, e pela primeira vez, ele a chama de filha. Em um momento de profunda humanidade, ele diz: “Então é assim que é…”. E sorri.
Laura o enterra sob uma árvore. Ela pega a cruz de madeira simples e, com as mãos sujas de terra, vira-a de lado, transformando-a em um X. Um tributo silencioso ao último dos X-Men.
Logan não é apenas um filme de super-herói. É uma elegia. Uma despedida honesta, crua e sem glamour. É o retrato de um homem que já foi invencível, mas que agora sangra, envelhece, sofre — e mesmo assim escolhe lutar. É a redenção de um anti-herói, a reconciliação com seu passado, e a passagem da tocha para uma nova geração. É o fim de um ciclo que começou com garras, violência e solidão — e termina com lágrimas, sacrifício e amor.
Hugh Jackman, em sua despedida do papel após quase duas décadas, entrega a atuação mais humana de sua carreira como Wolverine. Patrick Stewart, como Charles Xavier, mostra a fragilidade e dignidade de um líder em seus últimos dias. E Dafne Keen, como Laura, é a fúria pura e o futuro incerto em forma de criança.
Ao final de Logan, não há vitória grandiosa. Não há comemoração. Só a lembrança de um homem que passou a vida lutando — e que, no fim, aprendeu a morrer por algo maior do que si mesmo.

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